Setor Imobiliário: O Mercado que Não Para de Evoluir

Setor Imobiliário: O Mercado que Não Para de Evoluir

Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro demonstra uma resiliência impressionante, superando desafios econômicos e mantendo seu ritmo de expansão.

Desempenho Geral do Mercado em 2025

No primeiro semestre de 2025, foram lançadas 186.547 unidades residenciais, um aumento de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024. As vendas alcançaram 206.903 imóveis, crescendo 9,6% e estabelecendo um recorde histórico de lançamentos desde 2006.

Ao longo do terceiro trimestre, o setor manteve o ímpeto: 108,8 mil lançamentos entre julho e setembro, totalizando 307,4 mil unidades no acumulado do ano (alta de 8,4%), enquanto as vendas somaram 101,3 mil unidades no trimestre e 312,2 mil no acumulado anual (crescimento de 5%).

Nos últimos 12 meses, mais de 433 mil unidades foram lançadas, o maior volume registrado na série histórica, confirmando um cenário de crescimento robusto e consistente em todo o país.

Indicadores Financeiros em Foco

O setor imobiliário não se destaca apenas em volume de unidades, mas também em valor financeiro movimentado. Veja abaixo os principais indicadores:

Esses dados evidenciam a intensa liquidez e confiança dos investidores no segmento imobiliário, mesmo diante de taxas de juros elevadas.

Programa Minha Casa, Minha Vida Impulsiona o Setor

O programa governamental segue como principal pilar de crescimento em 2025. No terceiro trimestre, 47% dos lançamentos foram destinados ao MCMV, e 44% das vendas ocorreram nessa faixa.

As vendas do programa cresceram 25,8% no primeiro semestre, chegando a 95.483 unidades. Apesar de uma redução de lançamentos de 15% no segundo trimestre, a demanda continuou alta, refletindo condições de crédito mais acessíveis e subsídios oferecidos por estados e municípios.

Em São Paulo, o MCMV representou 66% dos lançamentos, e o estoque disponível de 110,5 mil unidades seria absorvido em apenas sete meses, destacando o potencial acelerado de consumo nessa faixa.

Demanda e Intenção de Compra

  • 49% dos brasileiros manifestam intenção de aquisição de imóvel, recorde histórico;
  • 58% de consumidores de alta renda demonstram interesse em compra;
  • 15% da população de São Luís planeja comprar ou alugar imóvel nos próximos 12 meses.

Os principais motivadores incluem baixa taxa de desemprego, aumento de renda e busca por valorização patrimonial. Imóveis na faixa de R$ 600 mil a R$ 800 mil registraram crescimento expressivo na procura.

Variações Regionais e Cidades em Destaque

No terceiro trimestre, o Centro-Oeste liderou com alta de 53,5% em lançamentos (7.313 unidades), enquanto o Sudeste manteve sua supremacia em volume, com 59,8 mil novas unidades (+4,3%).

Por outro lado, a região Norte registrou retração de 34,4% em lançamentos, enquanto o Nordeste e o Norte se destacaram em vendas no primeiro trimestre, com altas de 27,3% e 16,5%, respectivamente.

Cidades como Curitiba, Goiânia e São Paulo lideram a procura nos segmentos econômico, médio e alto padrão. Sorocaba, Belém e Santo André também mostram forte crescimento de atração, e Maceió se consolida com 71% de moradores em imóveis próprios, reforçando a solidez do mercado local.

Contexto Econômico e Perspectivas Futuras

Apesar da taxa Selic em 15%, o maior patamar recente, o setor imobiliário demonstra resiliência e maturidade. A oferta de imóveis caiu entre 4,1% e 4,6%, sinalizando que a demanda continua superior à oferta disponível, elevando a competitividade entre incorporadoras e imobiliárias.

O perfil do consumidor também se renova: há maior participação de jovens, mulheres e mães solo realizando o sonho da casa própria. O imóvel é cada vez mais reconhecido como investimento seguro e estratégico de longo prazo.

  • Retrofits e empreendimentos de alto padrão ganham força;
  • Novas centralidades urbanas e soluções sustentáveis se destacam;
  • Multipropriedade e diversificação de perfis ampliam a oferta.

Para o segundo semestre, espera-se a retomada de lançamentos, manutenção do ritmo de vendas e uma maturação saudável do mercado, exigindo maior profissionalização dos players e consolidando o setor para os próximos anos.

Por Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros