Impacto da Geração Z nas Tendências Financeiras

Impacto da Geração Z nas Tendências Financeiras

À medida que a Geração Z assume seu espaço no mercado, suas escolhas e hábitos financeiros estão provocando mudanças profundas nas instituições, nos serviços oferecidos e na cultura de consumo. Este artigo explora como esses jovens estão redesenhando as tendências financeiras no Brasil, combinando autonomia, tecnologia e propósito.

Com idades entre 16 e 27 anos em 2025, esses jovens já correspondem a 27% da força de trabalho e exibem comportamentos únicos que desafiam modelos tradicionais de crédito, poupança e investimento.

Perfil Sociodemográfico e Digital

A Geração Z se caracteriza por ter grande familiaridade com o mundo online desde a infância. São nativos digitais com perfil autônomo, que buscam praticidade e rapidez no acesso a serviços financeiros. Dos jovens entre 18 e 29 anos, 78% possuem alguma fonte de renda, seja formal, informal ou por meio de freelancing.

Além disso, 39% desses jovens colaboram com as despesas domésticas, o que demonstra um senso de responsabilidade e participação familiar acima das gerações anteriores. Com preferência por interações remotas, 63% afirmam usar exclusivamente apps de bancos para transações e consultas.

  • 36% estão empregados formalmente;
  • 23% atuam como freelancers ou em trabalhos informais;
  • 34% possuem cartão totalmente digital;
  • 25% têm contas em instituições exclusivamente digitais.

Tendências de Consumo e Padrões de Investimento

Ao contrário do estereótipo consumista, muitos jovens da Geração Z priorizam estabilidade e segurança. Cerca de 55% já assumem a responsabilidade pelos gastos mensais, focando em quitar contas e dívidas antes de planejar grandes aquisições.

Seu principal objetivo de poupança está voltado para emergências (33%), seguido por viagens (21%) e compra da casa própria (19%). Ainda que 52% tenham dinheiro guardado, grande parte permanece na poupança tradicional (53%), enquanto 25% mantêm recursos em casa e 20% na conta corrente.

  • 33% economizam para imprevistos;
  • 21% destinam recursos às viagens;
  • 19% planejam a aquisição de imóveis;
  • 37% já diversificaram em ações, fundos ou CDBs.

Apesar da cautela, 37% já experimentaram investimentos em produtos mais sofisticados, demonstrando curiosidade e abertura para aprender sobre novos instrumentos.

Crédito, Dívida e Controle Financeiro

A facilidade de acesso ao crédito digital tem levado 49,9% da Geração Z a recorrer a empréstimos, acima da média nacional de 44,1%. No entanto, a maior parte utiliza o crédito de forma racional, evitando gastos compulsivos.

Em 2025, houve aumento de 49% na busca por negociação de dívidas entre jovens de 18 a 25 anos, saltando de 9,9% para 13,3% no total de consumidores que recorreram à Serasa. Mesmo assim, mantêm a menor taxa de inadimplência do país.

Por outro lado, 47% ainda não adotam hábitos de controle financeiro regulares, seja por falta de conhecimento, hábito ou disciplina. Quatro em cada dez já enfrentaram negativação do nome, devido a fatores como perda de emprego (24%), ausência de planejamento (21%) ou empréstimo do nome para terceiros (20%).

Impacto da Tecnologia e Educação Financeira

A revolução digital impulsionada pelas fintechs e apps de investimento transformou o acesso ao crédito e aos mercados financeiros. Hoje, 34% dos jovens já utilizam plataformas digitais para investir, e 25% contam com contas bancárias sem agências físicas.

Mais da metade da Geração Z reconhece a importância de aprender sobre finanças para garantir segurança no futuro. Cerca de 57% afirmam ter buscado conhecimento financeiro em redes sociais, blogs e vídeos, motivados por terem crescido em um ambiente de instabilidade econômica.

No entanto, a aceleração do acesso ao crédito digitalizado pode gerar percepção reduzida do impacto real dos gastos, aumentando o risco de endividamento se não houver disciplina e acompanhamento contínuo.

Desafios e Oportunidades Futuras

Os principais desafios enfrentados por esses jovens incluem o alto custo de vida, a busca por equilíbrio entre renda e despesas e o desemprego ou subemprego. A necessidade de renda extra leva muitos a desenvolver habilidades empreendedoras ou a buscar promoções no trabalho.

Por outro lado, as instituições financeiras têm diante de si uma oportunidade única de inovar em produtos e serviços voltados para um público que valoriza usabilidade, transparência e propósito. Bancos e fintechs poderão fidelizar essa geração ao oferecer soluções gamificadas de educação financeira, planos de investimento personalizados e atendimento digital de alta qualidade.

Espera-se que, nos próximos anos, a Geração Z intensifique ainda mais a pressão por sustentabilidade e responsabilidade social, escolhendo marcas alinhadas a causas ambientais e sociais. Esse comportamento já se reflete nas preferências por produtos que combinam qualidade, propósito e inovação.

Conclusão

O impacto da Geração Z nas tendências financeiras é inegável. Sua combinação de autonomia, digitalização e propósito está redefinindo a forma como consumimos, investimos e encaramos o crédito. Para acompanhar esse movimento, empresas e instituições financeiras precisam adaptar-se rapidamente, oferecendo soluções que promovam controle financeiro, educação e valores alinhados a essa nova geração.

Investir em tecnologia, promover o desenvolvimento de práticas saudáveis de gestão de recursos e entender as motivações da Geração Z são passos essenciais para construir um mercado financeiro mais inclusivo e inovador.

Por Fabio Henrique

Fabio Henrique